Alice no País das Maravilhas e a escolha profissional - Psicologi
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Alice no País das Maravilhas e a escolha profissional

 alice in wonderland review 020310094334Quem já teve a oportunidade de ver o filme de Tim Burton pode ter se frustrado porque tinha expectativas muito elevadas ou se divertido bastante com a loucura da Lebre de Março e sua mania de arremessar xícaras. Eu faço parte desse segundo grupo. Entretanto, meu prazer com o filme foi muito além. Minha experiência como orientador vocacional me fez olhar o filme com outros olhos e fiquei entusiasmado em perceber como ele abre espaço para um discussão sempre atual – o nosso destino – mais precisamente a descoberta e a escolha vocacional.

 Tema normalmente associado à adolescência, momento em que realizamos o vestibular, é também assunto de importância em todas as fases da vida. É comum eu receber em meu consultório adultos que estão buscando se encontrar profissionalmente. É sempre valioso avaliarmos nossa carreira e pensarmos no nosso futuro.

 O filme, de início, abre a temática. Alice é uma adolescente, um tanto questionadora, chegando atrasada, e sem meias, em um evento social importante de nobreza inglesa. O motivo da festa? Um lorde inglês vai pedi-la em casamento. Eis o nosso tema: o destino e o futuro de Alice. Uma vida tranqüila, casada com um homem de posses, com toda mordomia que a nobreza pode oferecer. Vamos lembrar que na época em que se passa o filme essa era praticamente a única opção para as mulheres.

 Encontramos os primeiro elementos da escolha profissional: a expectativa social, a pressão familiar, o caminho “certo”, a garantia, a segurança e estabilidade, o perigo de ficar excluída como a tia Imogene – a senhora que até hoje espera o príncipe encantado. A expectativa e pressão social e da família estão tão presentes nesse processo de escolha que muitas vezes a decisão é por evitar contrariar as regras estabelecidas.

Diante de toda essa pressão, Alice pede um tempo, sai correndo, cai na toca do coelho, chega no País das Maravilhas. A primeira questão com a qual ela se defronta: Você é a Alice? Ou será Alice que não é a Alice? É a Alice, mas não totalmente?

 Alice é obrigada a se perguntar “quem sou eu?”. A Alice que todos esperam tem um destino: matar o terrível dragão que mantém a tirania da Rainha de Copas. A nossa Alice não se vê capaz de realizar essa tarefa: será ela, ela mesma?

 O filme avança, Alice avança também, fazendo seu próprio caminho apesar do que já estava traçado. A busca por se conhecer é o primeiro passo efetivo na direção da descoberta vocacional; quem não sabe quem é não ocupa seu espaço no mundo.

 rainhaTemos um personagem importante, o Chapeleiro Maluco, ele acredita que Alice é a Alice. Ele a protege, coloca em risco a própria vida e é levado preso para a Rainha de Copas. Para se salvar, trabalha fabricando chapéus para a tirana. Quando Alice o encontra, ele está feliz por poder voltar a trabalhar, é a vocação dele fazer chapéus, e assim nem percebe a corrente que lhe aprisiona naquela sala. Quantas vezes não estamos a realizar um trabalho que gostamos mas esquecemos o real sentido e significado desse trabalho, no caso, acabar com o reino de maldades da Rainha de Copas que quer tudo do seu jeito ou – Cortem-lhe a cabeça!!!

 O reinado de Copas é marcado pela falsidade, a hipocrisia, o distanciamento do Eu Verdadeiro. Todos fazem de tudo para agradar a rainha, abrindo mão da espontaneidade e da liberdade de expressão.

 Alice descobre que precisa pegar a espada Vorpal, única capaz de matar o dragão. A espada é um símbolo de poder e força. Entretanto, tal arma é protegida por uma besta terrível. Alice encara a fera, se torna amiga dela, apesar do risco de morte ela olha o medo de frente e o atravessa, recuperando assim o poder, a espada. Agora, o que era uma fera raivosa e mortal se oferece como montaria para Alice, serve a ela. Nossa heroína dominou seu medo.

 

alice wonderland vidChegamos a um momento crucial do filme, a escolha do corajoso guerreiro que enfrentará o dragão no dia Fabuloso (que podemos comparar com o dia do vestibular). A Rainha Branca diz, o que pode ser uma das frases mais importantes do filme, algo assim:

Alice, agora é o momento de você decidir. Não tome sua decisão para agradar ninguém, porque na hora de enfrentar o dragão você estará sozinha

 Ao escolher sua profissão, é importante ter em mente que quem vai trabalhar dia-a-dia e enfrentar todos os desafios é você. Você estará essencialmente só. Ninguém pode trabalhar no nosso lugar.

Nesse momento Alice mais uma vez se retira para pensar. Apesar de ter enfrentado o medo, recuperado a força, ainda não descobriu o essencial. Não respondeu a pergunta básica: quem sou eu. Numa breve conversa com Absolem, uma lagarta prestes a virar borboleta, Alice afirma e reconhece quem ela é. Não tem mais dúvida, sabe o destino que quer seguir.

 Acredito que todos temos um destino, que podemos seguir ou não, temos o livre-arbítrio. Como descobrir o nosso destino? Buscando aquilo que dá sentido e significado à nossa vida! Por isso a importância de se conhecer.

 Alice enfrenta o dragão! Ele é gigantesco, parece impossível vencê-lo. Alice pensa então em 6 coisas que ela julgava impossíveis e viu acontecer.

"se pensarmos que uma coisa é impossível, nunca conseguiremos realizá-la!"

(Pai da Alice)

 

Alice vence o dragão! Cortando-lhe a cabeça!

Ao voltar para o seu mundo, onde outro dragão a espera: o lorde, o pedido de casamento e uma multidão que aguarda que ela diga sim. O que escolher? O caminho que todos esperam dela ou o próprio destino? Alice não tem dúvida, ela descobriu quem é, recuperou seu poder, dominou o medo, ousou ser ela mesma!

 Assim, diz não para todos os presentes e sim para si mesma, para sua verdade mais profunda, é honesta e verdadeira com todos os presentes, não ofende ou ataca ninguém.

 A jornada empreendida por Alice é a mesma que somos convidados a percorrer: o caminho solitário, a descoberta de si mesma, o domínio do medo, a conquista da força e da ousadia de se expressar verdadeira e autêntica no mundo. Esse é o nosso desafio e de todo jovem que pensa sobre seu futuro: a descoberta de si mesmo, o reconhecimento do próprio caminho e a auto-realização na alegria de cumprir o destino!

Fernando Aguiar
Orientador Vocacional

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