Prazer x Dinheiro, um dilema a ser transformado - Psicologia Esse
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Prazer x Dinheiro, um dilema a ser transformado

ganhar dinheiro

De acordo com a nossa enquete:

Quando penso em escolher a minha profissão o que mais pesa pra mim é:

1º. 70% dos respondentes escolherem prazer e satisfação.

2º. 20%, ser reconhecido na minha área.

3º. com 4,2%, retorno financeiro.

 

ganhar dinheiroDe acordo com a nossa enquete:

Quando penso em escolher a minha profissão o que mais pesa pra mim é:
1º. 70% dos respondentes escolherem prazer e satisfação.

2º. 20%, ser reconhecido na minha área.

3º. com 4,2%, retorno financeiro.

Esses dados, apesar da pequena amostragem, parecem indicar algo que venho percebendo e que, aparentemente, contradiz a lógica de concurso público de Brasília: o prazer e a satisfação no trabalho vem antes do retorno financeiro. Digo isso, porque na maioria das vezes o apelo do cargo público é o salário alto, a segurança e a estabilidade. Na maioria das vezes, me parece que as pessoas escolhem mais pelo quanto irão ganhar do que pelo que de fato irão fazer. Já ouvi pessoas dizendo: "Fui fazer a prova do concurso e quando cheguei lá que eu fui perceber com que eu iria trabalhar se passasse no concurso, desisti na hora!"

 Em alguns trabalhos que fiz em escolas particulares de Brasília - mais especificamente em 2007 e 2009 com alunos do 9º ano no colégio Marista, uma amostra de aproximadamente 320 jovens - era unânime o desejo de fazer o que gostam. Garotos e garotas de 14 e 15 anos dizendo que o mais importante é ser feliz a profissão e que o dinheiro teria que vir como consequência.

Quero aproveitar essa enquete para chamar a atenção para um aspecto desse dilema entre fazer o que gosta e ganhar dinheiro. Normalmente o prazer e o trabalho estão sempre muito separados na nossa cultura. Na Bíblia (nossa herança judaico-cristã) consta que por terem cometido um pecado, Adão e Eva foram expulsos do Paraíso e como punição teriam que trabalhar. Fora isso, toda a bagagem de trabalho associado ao sacrifício. A prática da escravidão no Brasil colônia nos deixou um legado de que trabalho é escravidão. E ainda, tudo de negativo que ouvimos a respeito de trabalho e dinheiro quando somos crianças:
Primeiro o dever, depois o prazer!
Dinheiro é sujo!
Tô batalhando! (pessoa se referindo ao trabalho)
Quem trabalha é honesto, quem não trabalha é vagabundo! (e aqui vai depender do que a pessoa considera trabalho, já ouvi uma vez que na casa de uma certa pessoa só era considerado profissão de verdade: médico, advogado e engenheiro).

Temos ainda o exemplo vivo dos nossos pais: eles eram felizes no trabalho ou sempre aparentavam abatidos, frustrados e desanimados com suas profissões?
Ok, mas tem gente que faz o que gosta. Normalmente essas pessoas tem problemas financeiros... porque afinal, como podem ganhar um bom dinheiro se em algum lugar inconsciente ela não acredita que aquilo é trabalho e que merece receber por isso. Tenho um amigo funcionário de Banco e excelente músico. No Banco ele ganha dinheiro e na música ele se realiza, cada vez que conversamos percebo que ele avança mais um passo na direção de ganhar dinheiro também com a música e poder largar o Banco.

A questão aqui é que desde muito cedo todos aprendemos que uma coisa era trabalho e outra coisa era diversão e prazer. Poucas são as pessoas que conseguem unir esses dois aspectos. Conheço muitas pessoas, também entre os meus clientes, que buscam a realização profissional associada a uma abundância financeira. Longe de ser impossível, é só uma questão de assumir a responsabilidade pela própria vida e enfrentar o desafio da mudança. Mudança de pensamento, mudança de sentimentos, mudança de conceitos e concepções a respeito do trabalho, do dinheiro e do prazer. E claro, se permitir sentir mais prazer na vida! E correr o risco de começar a ganhar dinheiro com aquilo que te faz uma pessoa mais feliz e plena! Até ter a coragem de largar seu emprego chato, no qual trabalhou boa parte da sua vida, e descobrir que estamos aqui para trabalharmos com o que a gente gosta, porque assim a gente trabalha melhor e ajuda a fazer uma sociedade melhor!

 

Se você não conhece ninguém que trabalha com o que gosta e ganha dinheiro, muito prazer, meu nome é Fernando, não devo nada pra ninguém, minhas contas estão em dia e sempre que posso viajo para conhecer novos lugares e culturas!

 

 

A orientação vocacional (OV) surgiu no período da revolução industrial, seu objetivo era identificar o perfil dos trabalhadores para saber em qual função se encaixavam, visando maior produtividade. Não havia preocupação com a saúde e satisfação pessoal dos profissionais, o objetivo era proporcionar maiores lucros para os donos das indústrias. Nessa época, a psicologia era predominantemente quantitativa (isso é, tentava medir e quantificar tudo) e diante de uma grande população proletariada, fazia uso dos testes psicológicos, possíveis de serem aplicados em larga escala e a baixo custo financeiro. No entanto, com elevados custos sociais e emocionais. 

Com a evolução das relações trabalhistas e da psicologia,a orientação vocacional também se transformou. Hoje, a literatura da área defende um trabalho de OV que vá muito além de definir uma profissão, mas prepare o jovem para a vida adulta. A idéia equivocada de que cada pessoa serve para uma função específica evoluiu para a compreensão de que cada sujeito é capaz de trilhar o próprio caminho com prazer e criatividade. Contruir nosso próprio caminho nos ajuda a sermos mais responsáveis pela nossa vida e nosso crescimento como pessoa e como profissional – essas são características dos profissionais bem sucedidos hoje. 

Os testes continuam sendo usados, mas tem o peso como o de qualquer outra técnica usada durante o trabalho, e portanto não devem ser tomados como mais importantes que o sujeito que vive o processo de escolha, nem como bola de cristal ou determinantes do futuro. Usar o teste pura e simplesmente, sem todo um trabalho de preparação para a escolha pode acarretar em uma escolha precipitada e sem chão. O teste só tem validade para o momento em que é aplicado, de modo que seu humor do dia pode afetar os resultados de um teste psicológico.

Todo jovem quer uma resposta rápida sobre que profissão seguir, e os pais também. Muitos orientadores vocacionais caem nessa armadilha e aplicam testes sem muito critério ou cuidado. Um processo de escolha coerente e seguro depende de autoconhecimento e reflexão e ganho de autonomia. Muito mais do que escolher uma profissão, é um momento de pensar na própria vida e assumir responsabilidade pelo caminho que se quer seguir no futuro, que começa agora!

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